A ocupação das pessoas está baseada em diversas práticas realizadas no aproveitamento do tempo-livre, e isso não é algo oferecido a todas as classes, que se veem muitas vezes, sem opções de recreação.
Realizar uma atividade prazerosa, frequentar um lugar fora do ambiente de trabalho é indispensável para a formação cultural. Assim, o lazer é uma forma de se desvencilhar das preocupações ao menos temporariamente, relaxar e estimular o espírito criativo de cada um.
Aliás, é exatamente isso que fazem os moradores da classe média e alta que se deparam com uma ampla rede de opções de lazer diariamente, como parques, shoppings, cinemas, teatros, shows, restaurantes sofisticados, ginásios esportivos. Isso não existe nas periferias, pois o Estado não disponibiliza espaço para a criação de centros culturais, excluindo essas pessoas de qualquer contato com o mundo externo.
Desse modo, com a distanciação entre a minoria privilegiada e a maioria desfavorecida aumentam às diferenças sociais, consequentemente isso contribui para a marginalização das camadas populares. Se houvesse o incentivo em relação ao ócio, haveria acesso a informação e mais conscientização das pessoas.
O problema é que se dá mais valor às atividades remuneradas, de consumo, do que às atividades de participação social, em que seria possível estreitar os laços e estabelecer uma convivência harmônica. Além do mais, práticas em grupo podem ser voltadas para mobilizar ações que ajudem às pessoas necessitadas, portanto não é um bem egoísta e sim coletivo. É como um ciclo vicioso, pois o comportamento e o estado de espírito de cada indivíduo reflete no outro, e assim sucessivamente.
Porém, não se pode pensar em alterar esse quadro sem a participação conjunta do Estado e dos moradores, que sintam-se motivados a elaborar planos de mudança, e exigir um direito que pertence a qualquer cidadão, que é a constituiição de espaços públicos para o entretenimento e o desenvolvimento social.
Portanto, o tempo-livre pode ser muito bem aproveitado a partir do momento em que todos tenham acesso aos bens e serviços, e procurem relacionar uma atividade que considerem apenas passa-tempo com o desenvolvimento mental e a capacidade criativa.
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